sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Tal Filho, Tal Pai: Fiuk e Fábio Júnior.

As férias sempre foram um momento de congratulação, descanso e feliz entretenimento. O ócio, que faz direta contraposição ao negócio, negando-lhe a pragmática utilidade, é um feliz momento de nada fazer, para depois bem e melhor fazer: Mas só quando nos for oportuno.
Entretanto as diversas interpretações que foram dadas, ao longo dos tempos ao ócio variam desde a classificação de ócio criativo até o ócio como oficina do diabo. São João Bosco (Séc. XiX) classificara, por exemplo, as férias e o ócio que ela comporta, como uma oportunidade de colheita ao demônio, que aproveitaria os espaços sem negócios para construir oficinas, daí deriva o seu famoso aforismo: “As férias são a oficina do diabo”.
Devaneios e elucubrações as férias são um tempo feliz, mas ser infeliz, já dizia Guimarães Rosa, é uma questão de prefixo. Na sexta feira, dia 23 deste dezembro caloroso, e por conta deste terrível calor, demorei-me a dormir e eis que me deparei com o programa “Tal Pai, Tal Filho, que traziam pela primeira vez em cena ( ou pelo menos declaradamente em cena) Fábio Júnior e seu filho cantante Fuik.
Confesso que fiquei estarrecido com algumas cenas. Por alguns momentos de conversa íntima entre os dois tinha a impressão de estar ouvindo a música “Pai”, famigerada na voz de Fábio Júnior, aliás, era esta que sempre fazia fundo musical às cenas. Até o choro forçado de ambos combinavam com as interpretações de Fábio a esta música, nos diversos programas que insistem em convidá-los a cada fim de ano.
Bem, se fosse só isso estava até bom. O que mais me incomodou, aliás, nem tanto, por que o sono logo chegou e nem vi ao final do enfadonho programa, foi o tom machista que algumas conversas assumiam. Concordo plenamente que tal pai, tal o filho exibem um currículo amoroso invejável, mas não precisava esbanjar promiscuidade nas falas, tão pouco pouca capacidade de reflexão acerca das coisas e normas da vida.
Ponto positivo para a trajetória do rapaz, que sempre tentara, em vão, trilhar um caminho independente do pai. Ficou claro que, tanto no ramo musical, quanto no ramo da dramaturgia o moço sempre se esforçara por mostrar talento, embora na música isso tenha sido em vão ( já que ele canta o suficiente para um não mudo) e na dramaturgia ele ainda esteja nos primeiros passos ( já que Malhação não significa mais que isso).
Já sobre o pai, Fábio Júnior, me recuso a comentar, já que nunca entendi direito a carreira dele. Ele canta bem, interpreta relativamente bem (em cena e enquanto canta), mas os seus repertórios fazem reflexos à sua vida amorosa: são sempre instáveis, a ponto de não imprimir caráter (falo caráter musical). E olha que o especial de Natal de Xuxa ainda vem aí: espero à esta hora estar com minha família, ceando, longe da oficina do demônio: a televisão!!!!

Um comentário:

  1. Sensacional ler, neste fim de tarde, algo de muito inteligente e sutilmente brilhante!!
    Bom Natal.

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